Levam-se cinco horas e meia, três lattes (dois com açúcar) e um ator vencedor do Oscar para gravar um audiobook. Isso quando o audiobook é de Animais Fantásticos e Onde Habitam.

Eddie Redmayne chega ao Audible HQ para narrar a novíssima edição do livro da Biblioteca de Hogwarts, Animais Fantásticos e Onde Habitam, em uma cruel manhã de inverno em Londres. Ele está pronto para tornar-se novamente o excêntrico magizoologista Newt Scamander. Pronto para reprisar o papel que ele interpretou no filme Animais Fantásticos e Onde Habitam. Desta vez, ele terá que fazer isso usando apenas a sua voz.

No estúdio, ele pega a versão A3 do livro na frente dele e abre e para no prefácio — um novo, escrito na voz inimitável de Newt Scamander.

Enquanto o engenheiro de som e o diretor certificam-se de que os níveis de som estão corretos, Eddie sussurra algo e sacode a cabeça e os ombros um pouco, como se ele estivesse tentando se transformar fisicamente. Há apenas uma frase que Eddie poderia ter dito naquele momento, ele conta-me mais tarde.

Eu não fiz muitas gravações de voz, então quando estava tentando voltar para a pele de Newt — durante a leitura de Animais Fantásticos e Onde Habitam — eu meio que uso a mesma técnica que usei no set,” ele diz com um sorriso conspiratório. “Havia uma frase no roteiro original do filme, na qual Newt diz: ‘Eu não estou certo de que qualquer coisa que ocorra na natureza possa ser antinatural.’ A frase acabou não fazendo parte do filme, mas eu sempre usei isso como meu caminho para encontrar a voz de Newt. Esse foi o meu jeito de voltar a pele dele hoje.

Com sua frase favorita dita, Eddie começa a ler como Newt. Ele faz a linguagem corporal de Newt enquanto fala, levemente curvando os ombros, como se estivesse tentando ficar menor.

Eu encontrei-me começando a encolher daquele jeito que o Newt faz. Ele não é muito bom em manter contato com os olhos e, hilariamente, na cabine de gravação eles têm esse grande rosto que, no personagem, é a pessoa com quem você está falando, então eu meio que comecei a evitar manter contato com os olhos com isso, o que foi um pouco divertido.

O livro é como uma enciclopédia de criaturas mágicas, organizado em ordem alfabética. Assim que ele lê o novo prefácio (que é fantástico, aliás, e cheio de detalhes animadores), Eddie vai para a primeira entrada do livro: A de Acromântula. Quando chegamos na letra B, Eddie empurra seu banquinho e fica de pé, alto e orgulhoso.

Ele se interrompe diversas vezes para dizer coisas como “Ah, ela é boa, não é?” sobre uma das frases de J.K. Rowling, em particular, ou “Isso ainda soa como o Newt?“. Eddie parece, enquanto lê, estar admirado e encantado pelo livro mais uma vez. Ele oscila entre o Eddie fã de Harry Potter e o Eddie ator que todos nós conhecemos. É muito agradável de assistir.

Antes de ser escalado para o filme, e antes mesmo de eu ler o roteiro, David Yates havia me contado sobre Newt e seu livro. Obviamente, foi a primeira coisa que eu li em relação ao filme. Achei tão divertido e encantador e também espirituosamente escrito. Até você começar a ler em voz alta, você esquece o quão brilhante é o uso dos sons da linguagem de J.K. Rowling. Tem muita onomatopeia e trava-línguas. Ocasionalmente, tive que parar porque eu era incapaz de dizer as palavras sem rir ou ficar com a língua travada. Foi maravilhoso. É um livro muito bonito.

É verdade. Eddie para algumas vezes, com algumas das partes mais complicadas. O que é compreensível. Há algumas descrições que parecem, particularmente, agradar o senso de humor de Eddie. Quando ele lê a frase “As penas do Agoureiro não servem para fazer canetas porque repelem a tinta,” ele para, vira os olhos, põe as mãos no ar e diz, “Eu tinha esquecido o quão bom é esse livro!

Oitenta e oito páginas e seis novas criaturas depois, Eddie Redmayne lembra exatamente o quão bom é o livro. E é mais animador do que nunca, narrado pelo próprio Newt Scamander.

(Fonte)